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13–14 anos

Altos e Baixos Emocionais aos 13 e 14 Anos: Atravessar as Tempestades Sem Ser Levado por Elas

O seu filho chegou a casa radiante, vinte minutos depois estava a chorar por causa de um grupo de conversa, furioso consigo por lhe ter perguntado o que se passava, e às nove da noite estava a cantar no duche. Nada parecia proporcional e nada foi explicado. Se está esgotado com o clima lá de casa, não está a exagerar. Aos 13 e 14 anos, o volume emocional está mais alto sobretudo por razões biológicas, e as oscilações, embora reais, costumam ser sinal de crescimento e não de problemas.

Porque acontece nesta idade

Há duas partes do cérebro com calendários diferentes. O sistema límbico, que produz o medo, a excitação, a mágoa e a raiva e lê os sinais sociais, torna-se muito mais reativo no início da adolescência. O córtex pré-frontal, que trava e dá perspetiva, amadurece muito mais devagar e só fica completo por volta dos vinte e poucos anos. Durante alguns anos, o alarme soa mais alto do que o raciocínio, e um olhar torto de um amigo é sentido como uma catástrofe antes de a parte que pensa ter tido tempo de opinar.

As hormonas da puberdade juntam-se a isto: sobem em picos e atuam diretamente sobre o humor, por isso um adolescente pode sentir-se em baixo ou em pilha sem nenhum acontecimento que o explique. A falta de sono piora tudo: nesta idade são precisas 8 a 10 horas por noite, mas a puberdade atrasa o relógio biológico, e eles só têm sono às onze e são arrancados da cama às sete. Um adolescente a funcionar com seis horas quase não tem reservas.

Para além da biologia, o que está em jogo aumentou mesmo. As amizades passaram a ter a ver com identidade: ficar de fora de um plano não é uma tarde má, é uma pergunta sobre quem ele é. As primeiras paixões e desgostos chegam sem nada com que os comparar, e um namoro de duas semanas pode acabar num desgosto que a um adulto parece absurdo e para ele é total. Ser julgado, pelos colegas, pelos professores ou pelos pais, dói mais do que nunca, e é por isso que uma correção ligeira pode acabar numa porta a bater. A escola também ficou mais exigente e com mais consequências.

Juntando tudo, o "desproporcionado" é a norma do desenvolvimento aos 13 e 14 anos. O seu filho não é mimado nem fraco; está a sentir mais do que ainda consegue regular, e a aprender a regulá-lo em tempo real, consigo como parceiro de treino.

O que ajuda

Seja o termóstato, não o termómetro. Quando ele chega a ferver, o seu sistema nervoso é o que ainda consegue definir a temperatura da sala. Abrande a voz, descontraia os ombros e diga menos do que lhe apetece: "Está bem. Estou aqui." Se a sua própria irritação subir, diga-o e saia por uns instantes: "Também me estou a enervar. Dá-me cinco minutos e eu volto." O corpo mais calmo acaba por puxar o outro, mas só se se mantiver calmo.

Valide antes de fazer qualquer outra coisa. Um adolescente que se sente desvalorizado escala; um que se sente compreendido consegue começar a acalmar. Devolva-lhe o sentimento como se fizesse sentido, porque, dentro do cérebro dele, faz: "Isso parece horrível. Percebo porque estás tão chateado." Não acrescente "mas". Quando ele acenar ou respirar fundo, pergunte do que precisa: "Queres ideias ou só desabafar?" Respeite a resposta; desabafar sem que lhe resolvam o problema é muitas vezes a solução toda.

Ajude-o a dar-lhe um nome mais preciso. Nesta idade, os sentimentos chegam como uma onda única e indistinta. Palavras mais finas dão-lhe uma pega: "É mais vergonha ou mais mágoa?" "Parece ciúme misturado com sentir-te posto de parte." "Desiludido é diferente de zangado; qual deles é?" Dar um nome preciso a um sentimento tira-lhe algum calor e faz de si um tradutor em vez de um adversário. Faça o mesmo consigo: "Não estou irritado contigo, estou ansioso por causa do trabalho."

Proteja o sono, o movimento e a alimentação, e trate-os como trabalho sobre o humor. Combinem uma hora a que o telemóvel sai do quarto e uma hora de deitar que permita 8 a 10 horas; mantenha a hora de acordar ao fim de semana a menos de uma hora da dos dias de semana, para o relógio biológico não se atrasar ainda mais. Garanta um pequeno-almoço a sério e um lanche logo a seguir às aulas; muitas explosões ao fim do dia são fome com uma queixa agarrada. Movimento escolhido por ele, seja futebol, dança ou uma longa caminhada com música, é dos estabilizadores de humor mais fiáveis que existem.

Ensine e mostre ferramentas de regulação que ele possa usar em privado. Os adolescentes não vão fazer exercícios de respiração à sua frente, por isso ofereça ferramentas que funcionem de porta fechada: respiração lenta com uma expiração longa, uma volta ao quarteirão, uma playlist que acompanha o estado de espírito e depois o muda, escrever a mensagem que não se pode enviar e apagá-la. Diga-o uma vez, sem sermão: "Quando é assim tão grande, às vezes só mexer o corpo ou escrever resulta. Experimenta uma e vê." Depois deixe-o vê-lo usar as suas.

Ponha limites ao comportamento, nunca aos sentimentos, e repare depois das tempestades. Todos os sentimentos são permitidos; alguns comportamentos não. Diga as suas duas ou três linhas vermelhas quando todos estão calmos e mantenha-as sempre da mesma maneira: "Podes estar furioso comigo. Não me podes chamar isso." Poupe o sermão. Quando a tempestade passar, volte ao assunto brevemente: "Há bocado foi difícil. O que se estava a passar?" ou, se perdeu a cabeça, "Gritei, e peço desculpa." Um adolescente que vive a reparação aprende que se sobrevive a uma discussão, a lição de que mais precisa para as relações que tem pela frente. Diga também em voz alta quando os dias correm bem: "Lidaste muito bem com aquela chamada."

Mantenha momentos de ligação sem pressão ao longo da semana. Uma conversa cara a cara proposta pelos pais parece uma entrevista. Lado a lado é diferente: o carro, cozinhar juntos, uma passagem pela cozinha ao fim da noite, quando a guarda está em baixo. Proteja alguns destes momentos de propósito e deixe o silêncio fazer parte deles; as confidências importantes chegam de lado.

O que evitar

Gozar com a intensidade. "Lá vem o drama" pode ser verdade e, mesmo assim, no momento é uma traição. Ensina-o a levar o sentimento para outro lado.

"Isso não é nada de especial." Comparado com a experiência de um adulto, talvez não. Comparado com a dele, é a coisa maior deste mês, e ouvir o contrário fá-lo sentir-se errado e sozinho ao mesmo tempo.

Castigar as lágrimas ou a raiva, ou responder no mesmo tom. Mandar um adolescente para o quarto por chorar ensina-lhe que a tristeza não é bem-vinda, e gritar por cima de gritos mostra exatamente o que está a tentar travar. Guarde as consequências para as linhas combinadas sobre o comportamento.

Sermões ou interrogatórios a meio da tempestade. Um cérebro inundado não consegue absorver razões nem responder a uma série de perguntas. Uma frase agora, o resto depois.

Desvalorizar o sofrimento amoroso ou de amizade. "Ainda és muito novo para namorados" acaba com a conversa e com qualquer hipótese de saber do próximo. O desgosto de um adolescente de catorze anos é real; trate-o como tal.

Ler cada dia mau como uma crise. Andar sempre em cima e perguntar a toda a hora "estás bem?" pode fazer um adolescente sentir-se vigiado e frágil. Distinga uma semana difícil de uma mudança de padrão.

Quando procurar ajuda

Grandes oscilações que passam em horas ou num dia são típicas desta idade. O que justifica uma conversa com o médico de família, o pediatra ou um profissional de saúde mental é uma mudança de padrão, e não uma tarde intensa:

Perguntar cedo não é exagero.

Fontes

Este guia é informação geral e não substitui aconselhamento médico ou psicológico. Se estiver preocupado com o seu filho, fale com o médico ou com outro profissional.