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6–7 anos

Entrar na escola aos 6 e 7 anos: como ajudar o seu filho nos primeiros anos de aprendizagem formal

O seu filho de seis ou sete anos passou para um tipo de dia escolar diferente: mais longo, mais estruturado e organizado à volta de aprender a ler, a escrever e a trabalhar com números. Se chega a casa exausto, diz que não quer ir ou parece de repente inseguro, isso não quer dizer que algo tenha corrido mal. É um grande salto naquilo que se espera dele, e a maioria das crianças precisa de um período letivo ou mais para se ambientar.

Porque é que isto acontece nesta idade

Se nos anos anteriores o dia girava à volta da brincadeira, agora pede-se ao seu filho que fique sentado durante mais tempo, que ouça instruções dadas a toda a turma, que espere pela sua vez, que se lembre do que fazer a seguir e que trate das suas próprias coisas. Tudo isto exige autocontrolo e memória de trabalho, duas capacidades que ainda estão a desenvolver-se depressa aos seis e sete anos. Uma criança pode parecer competente em todas elas e, mesmo assim, gastar a maior parte da energia só para se manter à altura.

A leitura e a escrita acrescentam uma camada que antes não existia, e as diferenças de preparação são grandes. Algumas crianças já chegam a ler um pouco; outras ainda estão a perceber que as letras representam sons. Ambas as situações são normais e, por volta dos oito ou nove anos, essas diferenças iniciais costumam diminuir muito. O seu filho não sabe disto. Vê quem lê o livro mais comprido ou quem acaba primeiro, e muitas vezes é a primeira vez que se compara com uma turma inteira e tira conclusões sobre se é "bom nisto".

Depois há o simples cansaço. Um dia inteiro a concentrar-se, a cumprir regras e a dar-se bem com os outros, muitas vezes seguido de atividades e trabalhos de casa, é muito para um corpo pequeno. Muitos pais veem o mesmo padrão: a professora descreve uma criança alegre e colaborante que, às quatro e meia, desata a chorar porque lhe deram o copo errado. Aguentar-se o dia todo tem um custo, e isso sai com a pessoa em quem mais confia. É sinal de quanto se está a esforçar, não um problema de comportamento. E como a imagem que o seu filho tem de si próprio enquanto aluno se está a formar agora, a forma como reage a uma tarde cansativa ou a uma página de letras tortas conta mais do que qualquer trabalho escolar isolado.

O que ajuda

Crie uma rotina estável de manhã e à noite, com o dia seguinte preparado na véspera. Manhãs sem decisões são manhãs mais calmas. Em conjunto, ponham a roupa na cadeira, façam a mochila, encham a garrafa de água e vejam o que é preciso para amanhã (livro da biblioteca, equipamento de educação física). De manhã, mantenha sempre a mesma ordem: vestir, pequeno-almoço, dentes, sapatos, sair. Uma lista simples com desenhos no frigorífico permite ao seu filho seguir a sequência sozinho, que é exatamente a sensação de "eu consigo" que procura.

Proteja o sono acima de quase tudo. As crianças dos seis aos doze anos precisam de nove a doze horas de sono por noite e, nas primeiras semanas de escola, a maioria precisa do limite de cima. Se o seu filho tem de acordar às sete, isso significa estar a dormir às oito ou oito e meia. Mantenha o ritual de acalmar igual todas as noites, deixe os ecrãs fora da última hora e fora do quarto, e conte com que a hora de deitar mais cedo pareça cedo demais até o cansaço acertar o passo.

Dê-lhe um tempo para descomprimir e, depois, faça perguntas pequenas e concretas. Tenha um lanche pronto à saída da escola e deixe passar vinte a quarenta minutos sem exigências: correr lá fora, construir alguma coisa, um livro no sofá. Os trabalhos de casa e as perguntas vêm depois, não antes. Quando perguntar, "Como correu a escola?" recebe um "bem". Experimente "O que te fez rir hoje?", "Com quem estiveste ao almoço?" ou "Aconteceu alguma coisa de que não gostaste?". A hora do banho e a de deitar costumam trazer mais do que o caminho para casa. Esteja atento às pequenas preocupações, como não saber onde pôr a lancheira, porque muitas vezes é disso que se trata quando diz "não quero ir".

Mantenha a leitura em casa curta, partilhada e divertida. Dez minutos por dia chegam no primeiro ano, e devem parecer tempo juntos e não um teste. Leiam uma página cada um, deixe o seu filho escolher o livro mesmo que seja fácil demais, leia-lhe em voz alta livros acima do nível dele e pare antes de ele se cansar. Se ficar preso, diga-lhe a palavra ao fim de uns segundos em vez de o obrigar a soletrá-la sob pressão. Primeiro vem o gosto; a rapidez vem depois.

Fale com a professora cedo, e não só quando algo corre mal. Nas primeiras semanas, peça uma conversa breve ou envie um recado curto na caderneta: como se está a adaptar, se participa, se há alguma coisa em casa que possa ajudar. Ouvir que está a correr bem na sala de aula põe muitas vezes o choro depois das aulas em perspetiva. Se tiver alguma preocupação com a leitura, a atenção ou as amizades, fale nela agora, enquanto ainda é pequena.

Dê-lhe responsabilidades pequenas e previsíveis. Pendurar o próprio casaco, esvaziar a lancheira, dar de comer a um animal, pôr a mesa: tarefas iguais todos os dias e claramente suas constroem a sensação de ser capaz que a escola lhe está a pedir. Repare mais no esforço ("Lembraste-te do livro de leitura sem eu dizer nada") do que no resultado.

O que evitar

Fazer treino intensivo em casa. Fichas extra, cartões e insistir num livro de leitura "até acabar" raramente aceleram as coisas e muitas vezes ensinam à criança que aprender é algo a temer. Curto, descontraído e regular vale mais do que longo e sob pressão.

Compará-lo com colegas ou irmãos. "A tua irmã com a tua idade já lia livros de capítulos" ou "Toda a gente consegue" soa a um veredicto sobre quem ele é. Se está preocupado com uma diferença, leve-a à professora, não ao seu filho.

Encher a agenda. Uma atividade todas as tardes, além de um dia inteiro de escola, tira o tempo de recuperação que torna possível o dia seguinte, e fins de semana cheios fazem o mesmo. No primeiro período, manhãs de fim de semana calmas e brincadeira livre contam mais do que mais uma atividade; suspender uma delas até às primeiras férias é uma troca sensata.

Desvalorizar o "não quero ir" sem ouvir. "Toda a gente tem de ir à escola" fecha a porta a perceber porquê. Primeiro, tenha curiosidade ("Qual é a parte de que não gostas?") e só depois mantenha firme que é para ir.

Reagir com força a cada pequeno conflito. Passar à frente na fila ou "já não és meu amigo" fazem parte do dia a dia de uma sala de aula. Ouça, ajude o seu filho a pensar no que fazer a seguir e guarde o alarme para padrões, medo ou ferimentos.

Deixar os ecrãs preencherem todas as tardes cansativas. É uma forma fácil de comprar sossego, mas ecrãs na última hora antes de deitar atrasam o sono, e um tablet em cada momento em baixo impede o seu filho de encontrar outras maneiras de recuperar. Reserve-lhes um horário fixo, bem antes de deitar.

Quando procurar ajuda

A maioria das crianças está visivelmente mais adaptada ao fim de seis a oito semanas de apoio constante. Fale primeiro com a professora e depois com o médico de família ou o pediatra se:

Nada disto significa que haja algo grave. Mas cada uma destas situações merece ser vista com atenção mais cedo do que tarde, e uma professora ou um médico podem ajudá-lo a perceber o que precisa de mudar.

Fontes

Este guia é informação geral e não substitui aconselhamento médico ou psicológico. Se estiver preocupado com o seu filho, fale com o médico ou com outro profissional.