Se o seu filho de 6 ou 7 anos não para quieto durante os trabalhos de casa, desiste a meio de arrumar o quarto ou se esquece da segunda parte do que acabou de lhe pedir, está a ver algo que quase todos os pais de crianças desta idade reconhecem. A atenção prolongada numa tarefa escolhida por um adulto é mesmo curta nesta idade, e a própria atenção é uma capacidade ainda em construção, não um traço fixo que o seu filho tem ou não tem. Saber o que é típico, e o que ajuda discretamente, torna o atrito diário muito mais fácil de gerir.
Porque é que isto acontece nesta idade
As ferramentas mentais que permitem a uma criança concentrar-se chamam-se, no conjunto, funções executivas: manter uma instrução na cabeça (memória de trabalho), travar um impulso como falar sem esperar ou levantar-se (inibição) e passar de uma atividade para outra sem se desorganizar (flexibilidade). Estas capacidades continuam a desenvolver-se ao longo dos anos de escola e até bem dentro da adolescência. Uma criança de 6 anos já tem o início das três, mas são pouco fiáveis e esgotam-se depressa quando está cansada, com fome ou aborrecida.
A atenção também depende da tarefa. A mesma criança que não aguenta dez minutos de uma ficha consegue passar uma hora a construir uma maqueta, porque o interesse faz grande parte do trabalho que o autocontrolo ainda não consegue fazer. Não é desafio; é a forma como um cérebro jovem distribui o esforço. O sono, a fome, o movimento, os ecrãs e o barulho de fundo também mexem no ponteiro. Uma criança que dormiu oito horas em vez de dez, não tomou o pequeno-almoço, esteve sentada a manhã toda ou tem a televisão ligada na sala ao lado vai parecer bem menos capaz de se concentrar do que ela própria num dia melhor.
As crianças também são diferentes umas das outras. Algumas são, por temperamento, naturalmente mais ativas e impulsivas; os rapazes, em média, amadurecem estas capacidades um pouco mais tarde do que as raparigas, embora a sobreposição seja grande e cada criança possa estar em qualquer ponto do intervalo. Duas crianças de 7 anos da mesma turma podem estar muito afastadas no tempo que conseguem manter a atenção e ambas ser perfeitamente típicas.
O que ajuda
Proteja primeiro o sono e o movimento. As crianças dos 6 aos 12 anos precisam de 9 a 12 horas de sono por noite e de pelo menos 60 minutos de atividade física por dia. Se a concentração é uma luta, comece por ver a que horas o seu filho adormece de facto e quanto tempo do dia passa a mexer-se. Uma criança de 7 anos que tem de acordar às 7 precisa de estar a dormir por volta das 20h30, e uma corrida no parque ou uma volta de trotinete antes dos trabalhos de casa rende muitas vezes mais concentração do que qualquer quantidade de avisos.
Dê uma instrução de cada vez, olhos nos olhos, e peça-lhe que repita. "Vai lá acima, veste o pijama, lava os dentes e traz o livro de leitura" são quatro instruções, e a memória de trabalho de uma criança de 6 anos costuma guardar uma ou duas. Baixe-se à altura dele, espere até estar a olhar para si, dê o primeiro passo e pergunte: "Diz-me o que vais fazer primeiro." Quando voltar, dê o seguinte. Parece mais lento, mas é melhor do que repetir a lista toda três vezes.
Trabalhe em blocos curtos e concentrados, com um temporizador à vista. Ponha uma ampulheta ou um temporizador de cozinha para dez minutos de trabalhos e depois cinco minutos de movimento: saltos, uma ida à caixa do correio, uma dança pela cozinha. Depois, mais dez minutos. Este ritmo de "concentrar e mexer" corresponde ao que uma criança desta idade consegue realmente manter, e o temporizador torna visível o fim, para que não pergunte "falta muito?" a cada minuto. Alargue um pouco o tempo de concentração à medida que as semanas passam.
Arrume o espaço e divida a tarefa. Trabalhos numa mesa arrumada, de costas para a televisão, só com o lápis e a folha em que está a trabalhar, tiram a concorrência à atenção. Para tarefas maiores, divida-as numa pequena lista visual que o seu filho possa ir marcando: "1. Casaco no cabide. 2. Lancheira na cozinha. 3. Pasta de leitura na mesa." Três desenhos ou três linhas curtas num cartão junto à porta fazem mais do que insistir todos os dias, porque é o cartão que guarda a lista e não a memória dele.
Jogue jogos que treinam a atenção. O Rei manda treina a inibição, porque a criança tem de se travar perante uma ordem que não começa pelas palavras mágicas. Jogos de memória com cartas, jogos das diferenças, o Vejo, vejo e qualquer jogo de tabuleiro por turnos dão prática a manter informação na cabeça e a esperar. Dez minutos de um jogo de que gosta são treino a sério, sem a resistência que um "vamos trabalhar a tua concentração" provocaria.
Apanhe os momentos de concentração e descreva-os com precisão. "Continuaste com o puzzle mesmo quando a peça não encaixava; isso é concentração a sério" diz ao seu filho exatamente o que quer ver mais vezes. "Bom menino" ou "muito bem" não dizem.
Mantenha os ecrãs em horários combinados e fora da última hora antes de deitar. Os conteúdos rápidos dos ecrãs prendem a atenção com facilidade e fazem as tarefas mais lentas parecer mais difíceis por comparação, e os ecrãs à noite atrasam o sono. Combine os horários com antecedência ("depois dos trabalhos, até ao jantar") para que parar seja rotina e não uma negociação todas as noites.
O que evitar
Rótulos. "Preguiçoso", "nunca ouve" ou "anda sempre na lua", ditos à frente da criança, passam a fazer parte da forma como se vê, e as crianças tendem a corresponder aos rótulos. Descreva antes o comportamento: "Distraíste-te a meio. Vamos voltar ao passo dois."
Listas longas de instruções e, depois, frustração quando falham. Se deu quatro passos e o seu filho fez um, a instrução era longa demais para a memória de trabalho dele, não um sinal de que o estava a ignorar.
Castigar a distração. Tirar tempo de brincadeira ou dar trabalho extra por se distrair ensina à criança que é má a concentrar-se e retira precisamente o movimento e o descanso que ajudariam.
Maratonas de trabalhos de casa. Uma hora à mesa com uma criança de 6 anos em lágrimas produz menos aprendizagem do que quinze bons minutos. Se os trabalhos demoram regularmente muito mais do que a professora previa, diga-lhe; é informação útil.
Usar os ecrãs para resolver a agitação. Um tablet acalma de facto uma criança irrequieta, mas treina o hábito de precisar de muita estimulação para estar quieta, e a agitação volta mais forte quando acaba.
Comparar com um irmão ou um colega. "A tua irmã, com a tua idade, já se sentava a ler" junta vergonha a uma capacidade que ainda se está a desenvolver ao seu ritmo.
Quando procurar ajuda
A grande variação é normal, e a maioria das crianças de 6 e 7 anos que não param quietas e se esquecem das coisas tem simplesmente 6 e 7 anos. Vale a pena pedir uma avaliação ao médico de família ou ao pediatra se a desatenção, a impulsividade ou a agitação:
- forem claramente maiores do que as de outras crianças da mesma idade, e não apenas maiores do que gostaria;
- aparecerem em mais do que um contexto, em casa e na escola, e não só quando a tarefa é aborrecida;
- durarem há seis meses ou mais, em vez de terem surgido com uma mudança de casa, um irmão novo ou um período difícil;
- estiverem a prejudicar a aprendizagem, as amizades ou a vida familiar, e não apenas a cansá-lo a si.
Se a professora do seu filho levantar preocupações por iniciativa própria, leve isso a sério; os professores veem muitas crianças da mesma idade lado a lado. Antes de uma avaliação da atenção, ou em paralelo, peça uma avaliação da audição e da visão, porque uma criança que não ouve bem a instrução ou não vê bem o quadro pode parecer desatenta. Mencione também problemas de sono, incluindo ressonar, noites agitadas ou dificuldade em acordar: dormir mal pode imitar ou agravar dificuldades de atenção e muitas vezes tem bom tratamento. Um médico pode ajudá-lo a perceber se o que está a ver é variação normal, outra coisa fácil de resolver ou uma dificuldade de atenção que beneficiaria de apoio. Perguntar não é um veredicto; é informação.
Fontes
- Universidade de Harvard, Center on the Developing Child, "Executive Function & Self-Regulation" (Função executiva e autorregulação)
- Centers for Disease Control and Prevention (CDC), "Positive Parenting Tips: Middle Childhood (6–8 years)" (Dicas de parentalidade positiva: idade escolar, 6–8 anos)
- American Academy of Sleep Medicine, "Recommended Amount of Sleep for Pediatric Populations: A Consensus Statement of the American Academy of Sleep Medicine" (Journal of Clinical Sleep Medicine, 2016)
- Organização Mundial da Saúde, "Diretrizes da OMS sobre atividade física e comportamento sedentário" (2020)