ParentAI
‹ Todos os guias

2–3 anos

Desfralde aos 2 e 3 Anos: Sinais de Prontidão, Acidentes, Recusa e Noites

Se está a perguntar-se se a criança já está pronta, ou se começou e tudo parou, está em território muito conhecido. Entre os dois e os três anos, a maioria das famílias passa por alguma versão disto: uma criança entusiasmada num dia e que recusa no seguinte, poças no chão da cozinha, uma creche que gostava de ver o assunto resolvido. O desfralde é uma competência para a qual o corpo da criança tem de estar preparado, e o momento varia muito mais do que a maioria dos pais imagina.

Porque acontece nesta idade

Usar a sanita pede muito de uma criança pequena ao mesmo tempo. Fisicamente, os músculos que seguram e soltam a bexiga e o intestino precisam de amadurecer, e a criança tem de conseguir notar a sensação de vontade suficientemente cedo para fazer alguma coisa. Cognitivamente, precisa de ligar essa sensação ao bacio, lembrar-se dos passos e conseguir tratar da roupa. Emocionalmente, tem de estar disposta a abdicar de algo que sempre fizeram por ela e a tolerar a sensação estranha de largar para dentro de um recipiente. Estas três vertentes juntam-se em idades diferentes, algures entre os 18 meses e depois dos três anos, e todo esse intervalo é normal.

Começar antes de o corpo estar pronto não acelera nada. Normalmente traz mais acidentes, mais frustração de parte a parte e uma criança que aprende a associar o bacio a ser pressionada. A investigação sobre a idade do desfralde sugere que as crianças que começam mais cedo tendem a demorar mais a concluir. Não há prémio para quem começa primeiro.

Ficar seco durante a noite é um processo separado e chega mais tarde. Depende de um ritmo hormonal que reduz a produção de urina durante a noite e de o cérebro acordar com a bexiga cheia, e nenhuma destas coisas se treina. Muitas crianças ainda usam fralda à noite aos quatro anos, e molhar a cama aos cinco ou seis anos é comum e não é, por si só, um problema.

O que ajuda

Procure os sinais de prontidão antes de olhar para o calendário. Os úteis são: ficar seca uma ou duas horas seguidas, ter a fralda seca depois da sesta, notar quando está molhada ou suja e não gostar, dizer-lhe que está a fazer ou que já fez, mostrar interesse pela sanita ou pelo que faz lá, e conseguir baixar e subir as calças. Não precisa de todos os sinais, mas se quase não vê nenhum, espere um mês e volte a observar. Entretanto, deixe um bacio na casa de banho, deixe-a ver que usa a sanita e mude as fraldas lá, para que a divisão fique associada ao assunto.

Escolha uma semana calma para começar. Escolha um período em que esteja sobretudo em casa, ninguém esteja doente e não haja férias, mudança de casa ou bebé novo à vista. Diga à criança no dia anterior: "Amanhã vamos experimentar o bacio em vez da fralda durante o dia." Passe os primeiros dias em casa, com o bacio na divisão onde estiverem, e conte com o chão molhado.

Crie idas regulares e descontraídas ao bacio. Em vez de perguntar "Precisas de fazer xixi?" de dez em dez minutos, a que uma criança de dois anos responde "não" por princípio, ligue idas curtas a momentos que já existem: ao acordar, depois de cada refeição, antes do banho, antes de sair de casa. Uma ida dura um ou dois minutos, com um livro se ela quiser, e termina quer tenha saído alguma coisa quer não: "Desta vez não saiu nada, não faz mal, já está." Um bacio para onde consiga subir sozinha importa mais do que o modelo; se usar um redutor na sanita, junte um banquinho para os pés ficarem apoiados, o que também facilita fazer cocó.

Mantenha a roupa simples. Calças de elástico ou uma saia, e por baixo só as cuecas. Collants, jardineiras e cintos acrescentam segundos que uma criança pequena não tem. Algumas famílias deixam a criança de rabo ao léu em casa nos primeiros dias para ela sentir o que acontece; outras passam logo para as cuecas. Qualquer das opções serve, mas as fraldas-cueca parecem uma fralda para a maioria das crianças e tendem a atrasar o processo.

Torne os acidentes aborrecidos e o esforço visível. Quando houver uma poça, mantenha a cara e a voz neutras: "O xixi foi para o chão. Vamos limpar, e da próxima vez tentamos o bacio." Dê-lhe um pano para ajudar e siga em frente. Quando tentar, diga exatamente o que fez bem: "Paraste de brincar e vieste ao bacio, foi ótimo", ou "Disseste-me que precisavas de fazer cocó." O elogio à tentativa faz com que continue a tentar; grandes prémios pelo resultado fazem do resultado o objetivo único, e uma criança que não consegue produzir a pedido sente que falhou. Se uma tabela de autocolantes ajudar, use-a para as idas ao bacio, não para os resultados.

Se o cocó se tornar o problema, dê um passo atrás em vez de insistir. Muitas crianças fazem xixi no bacio sem problema mas recusam fazer cocó em qualquer lado que não seja a fralda, ou começam a reter. Reter torna as fezes mais duras, as fezes duras doem e a dor faz a criança reter ainda mais, por isso isto pode descontrolar-se depressa. Quebre o ciclo tirando a pressão: deixe-a pedir uma fralda para fazer cocó, de preferência na casa de banho, e não comente. Mantenha as fezes moles com bastante água e fruta, legumes e cereais integrais ao longo do dia. Quando fazer cocó voltar a ser confortável e regular, pode sugerir sentar-se no bacio com a fralda, depois fazer um buraco na fralda e depois experimentar sem ela. Se tudo se tornou uma luta diária, pare tudo durante duas ou três semanas, volte às fraldas sem comentários e recomece do zero. Uma pausa é uma estratégia, não uma derrota.

O que evitar

Começar por causa do prazo de outra pessoa. A pressão dos avós, de uma creche que prefere as crianças de cuecas ou de uma amiga cujo filho largou a fralda aos 20 meses é real, mas nada disso muda a prontidão da sua criança. Uma criança empurrada antes de estar pronta costuma demorar mais no total.

Castigos, vergonha ou nojo. Ralhar por um acidente, chamar-lhe bebé ou reagir a um cocó com nojo visível ensinam-lhe que esta parte do corpo é fonte de problemas. Isso torna a retenção e a recusa mais prováveis, não menos.

Idas longas e forçadas. Manter a criança no bacio até sair alguma coisa transforma-o num sítio onde fica presa. Curto e frequente é mais eficaz do que longo e raro.

Alternar de forma imprevisível entre fraldas e cuecas. Cuecas em casa, fralda nas compras, cuecas na creche, fralda porque está a chover: isto obriga uma criança pequena a descobrir a regra de cada vez. Depois de começar, procure usar cuecas durante o dia em todo o lado, com uma muda de roupa na mochila. Se isso ainda não for possível, é sinal para esperar.

Comparar irmãos, ou começar no meio de uma grande mudança. "A tua irmã nesta idade já não usava fralda" só acrescenta vergonha. E um bebé novo, uma mudança de casa ou uma creche nova gastam a capacidade emocional de que a criança precisa para isto; espere que a vida estabilize.

Quando procurar ajuda

A maioria das dificuldades com o desfralde resolve-se com tempo e menos pressão. Fale com o médico de família ou a enfermeira do centro de saúde se:

Nenhuma destas situações é uma emergência, mas cada uma merece uma conversa em vez de mais um mês a esforçar-se mais.

Fontes

Este guia é informação geral e não substitui aconselhamento médico ou psicológico. Se estiver preocupado com o seu filho, fale com o médico ou com outro profissional.